| A presente reflexão sustenta-se no pressuposto de que a formulação de políticas públicas ambientais recorre a conhecimentos científicos ou a especialistas para validar, justificar e legitimar as tomadas de decisão. O recurso a esses conhecimentos é, contudo, problemático se reconhecemos a sua diversidade sustentada, na maioria das vezes, em argumentos empíricos controversos ou mesmos contestados. Os estudos no campo das Ciências Sociais, e da Antropologia em particular, têm revelado que as medidas públicas voltadas para a conservação ambiental correm grande risco de comprometer a inserção social dos grupos respeitando os seus modos de vida e garantindo a realização dos mesmos. Nesses termos, examinaremos como se deu o recurso aos conhecimentos científicos na elaboração de intervenções públicas determinadas: na esfera estadual, a criação de duas áreas de proteção ambiental na região serrana do estado do Rio de Janeiro e, na esfera federal, a Lei da Mata Atlântica, tendo como foco os possíveis antagonismos entre os objetivos da conservação da biodiversidade e o respeito às condições de vida e de pequenos agricultores familiares implicados. |