| Na virada do século houve um avanço no reconhecimento, e valorização, da diversidade de sistemas de conhecimento, como dos povos tradicionais presentes em todos os continentes, mas apenas no plano da reflexão, e assim mesmo marginal. Estaria a sociedade de hoje mais propícia a colocar em dúvida as lógicas que organizam o sistema de conhecimento hegemônico e construir outras formas de diálogo entre conhecimentos? Quais as possibilidades desse diálogo e de rupturas das barreiras do conhecimento? Configura-se rupturas sobre os sistemas de poder abrindo espaços além da simples revalorização dos saberes locais ou regionais? Este texto propõe uma análise sobre o conhecimento ao plural, apreendidos como sistemas de saber, epistemes. Orienta-se por uma imersão ao processo de produção de conhecimentos sobre a história do saber, identificando a produção de um conhecimento social. Significa apontar rupturas de saberes, de discursos e de identidades que orientem o entendimento sobre o silêncio de outras representações do mundo integradas a um sistema mais amplo de conhecimento. Esta participação se propõe a analisar essas tensões enquanto narrativas de saber/poder, produtos da ação comunicativa de coletividades diversas. O texto se constrói na análise da dinâmica de atores interagindo em dado território e da produção de saberes, evidenciando processos de conhecimento que articulam noções como coletividade, identidade e território, em um campo de ação, e de força, situado historicamente. |