| A presente comunicação se propõe a refletir sobre as implicações das novas estratégias de prevenção do HIV/Aids que estão sendo propostas pela Organização Mundial de Saúde e UNAIDS, em particular sobre a circuncisão masculina. A circuncisão masculina é apresentada como um método de prevenção eficaz para o HV/Aids a partir da divulgação, em fevereiro de 2007, dos resultados de dois ensaios clínicos randomizados realizados em países africanos. O preservativo é tomado enquanto um método de prevenção pouco confiável na medida em que é dependente do comportamento dos indivíduos que o utilizam ou, no caso das mulheres, que demandam sua utilização. Nesta perspectiva, o controle sobre a prevenção não pode ser deixado nas mãos dos próprios indivíduos que, muitas vezes, não fazem um uso adequado dos recursos eficazes disponíveis, como o preservativo. Passar o controle da prevenção para a medicina através do desenvolvimento de novas tecnologias é um dos pilares do que está sendo apresentado como a nova era da prevenção. Outra característica desta nova era é sua estreita vinculação com a ciência, onde as políticas de saúde devem estar fundamentadas em “evidências científicas”. As evidências que a nova era da prevenção busca são aquelas produzidas pela intervenção clínica, isto é, pelas novas tecnologias de prevenção – microbicidas, barreiras cervicais, profilaxia pós-exposição, circuncisão masculina - e seus métodos de investigação. A medicalização da prevenção se dá, desta forma, não apenas pela tecnologia em si, mas pelo próprio método de aferição dos resultados. |