| A apresentação gira em torno de pesquisa sobre a atenção à violência na Saúde. O tema da violência, nesta área, é atravessado pela epidemiologia, que privilegia a incidência do fenômeno. Esta responde a uma lógica classificatória dos fenômenos do corpo e da saúde que, ao permitir visibilizar a violência como questão de gênero, contribuiu para esconder manifestações que não fossem identificadas com esta lógica de construção da violência. O reconhecimento de um ato como violento pressupõe atributos previamente identificados na vítima e a organização do serviço de atendimento segue esta lógica. Trata-se de problematizar esta invisibilidade que permanece ao se dar visibilidade à violência como fenômeno particular. O problema diz respeito à relação entre mim e o outro, na delimitação do que os constitui como sujeitos particulares. Que lugar tem o outro, quando se delimita um grupo social? No caso da violência, cristalizam-se conteúdos culturais associando características de vítima ou agressor a grupos ou sujeitos. Escapam as dimensões relacional e contextual de tais fenômenos, que lhes conferem dinâmica própria. Desconsidera-se que a violência e a dor a ela associada ultrapassam o plano particular, pois sua conflitualidade implica a negociação entre grupos, o que requer uma linguagem comum por meio da qual as partes se reconheçam como interlocutores legítimos. Elude-se, no limite, a própria diversidade, ao se essencializar o social como experiência particular |