Resumo

Este trabalho faz parte de uma pesquisa mais ampla, que analisa como se formam, articulam, mantém e se modificam as redes sociais no processo migratório. A pesquisa de campo, assim como a vida dos emigrantes, é multi-situada e realizou-se nas duas cidades brasileiras que tem conexões desde 1980 com a região de Boston (EUA) – Governador Valadares (MG) e Criciúma (SC). Os dados foram coletados através de pesquisa etnográfica e entrevistas semi-estruturadas. Aqui apresentamos apenas um recorte desta pesquisa e pretendemos demonstrar como o ato de migrar, bem como suas conseqüências, acaba muitas vezes por redefinir ou problematizar as identidades de gênero. Ao incorporar a categoria de gênero na análise dos fluxos migratórios, percebe-se que a migração deixou de ser vista apenas como uma escolha individual, ela surge envolta à redes de relações sociais - como uma estratégia de grupos familiares, de amigos ou de pessoas da mesma comunidade. Neste contexto, homens e mulheres vivenciam re-arranjos nas identidades de gênero no país de destino ou no de origem. Os homens, por exemplo, quando trabalham no ramo da faxina, em geral tendo as esposas como chefe, reavaliam o chamado “trabalho de casa”. Por outro lado, algumas mulheres acabam se tornando “empreendedoras”, ou aquelas que ficam, com a ausência do marido, passam a assumir atividades que antes eram exercidas por ele. A conclusão é a de que a experiência migratória faz circular as masculinidades e feminilidades tanto entre aqueles que migram, bem como entre aqueles que permanecem no país de origem.