Resumo

O presente trabalho analisa um fenômeno migratório de crescente importância em áfrica ocidental. Trata-se de sujeitos que se deslocam clandestinamente desde os principais portos da região embarcando em navios de carga e que chegam aos pontos mais diversos do globo. Desde uma perspectiva macro, a popularização deste tipo de travessias -em condições de alto risco e com relativas possibilidades de êxito- pode ser considerada uma resposta ao aumento das restrições colocadas aos fluxos migratórios nos últimos tempos. Esse crescimento tem sido apontado por diferentes pesquisadores, mas até agora, as especificidades deste tipo de migrações não têm sido trabalhadas pelas ciências sociais. A partir de uma abordagem etnográfica, me proponho entender o caso dos stowaways desde a perspectiva dos jovens que o protagonizam; na imensa maioria de sexo masculino entre 15 e 30 anos. A analise coloca a ênfase nos elementos de gênero, classe, cor e geração que atravessam o fenômeno. O lugar que esses jovens definem para se mesmos -guys from the ghetto- habitantes de uma mega-metrópoleafricana como Lagos, está fortemente vinculado à construção de projetos de vida direcionados quase exclusivamente a saída do continente. A categoria de jovens do gueto é apontada como a determinante de um «estilo de vida» e uma posição particular na sociedade englobante; assim como a condição que provoca e viabiliza a realização das travessias, valorada de forma ambivalente, com sentimentos de orgulho e desesperança