Resumo

A comunidade brasileira constitui-se como um dos principais fluxos migratórios transnacionais para Portugal na actualidade. A feminização dessa imigração é uma característica singular, essa que tem proporcionado discussões académicas e institucionais entrelaçando categorias como género e imigração. A partir da construção de uma dialéctica compreensível entre categorias não só de género, mas de nacionalidade, etnicidade e classe procurou-se investigar os “casamentos transnacionais” como consequência da mobilidade ou seja, mulheres que no percurso migratório através de redes de sociabilidade conheceram o seu companheiro, como também mulheres em que o relacionamento é colocado como a causa ou motivação para o deslocamento, gerando fluxos matrimoniais específicos. Para tal, a opção de recorte analítico foram mulheres brasileiras casadas com portugueses num período recente de 2000 a 2007 que residem na Grande Lisboa e na região do Algarve (sul de Portugal), locais estes onde se concentram a maioria da população brasileira imigrante, bem como os registros mais elevados de casamentos transnacionais. Nesse sentido, consolidou-se a tentativa de contextualizar e analisar aqueles casamentos, como um fenómeno de construção e alteração das redes matrimoniais e nas estratégias reprodutivas geracionais. As representações sociais e a auto-representação dessas mulheres também são abordadas, avaliando seus efeitos e estratégias de mediação com a sociedade de acolhimento.