Resumo

Nas últimas décadas as travestis brasileiras têm obtido visibilidade internacional, intensificada pela proliferação de sites na Internet, nos quais elas aparecem associadas a um tipo de sexo não-convencional. Essas pessoas – que inserem em seus corpos signos de um feminino glamourizado e sexualizado, tendo nascido “homens” – , têm buscado na Europa possibilidades de acessão financeira, bem como uma vida longe da marginalização e discriminação que sofrem no Brasil. A Europa significará um ponto de viragem, promovendo-as no mercado sexual brasileiro. Ainda que órgãos nacionais e internacionais denunciem o tráfico de seres humanos para a prostituição, os dados que reúno apontam que esta não é a realidade da imigração travesti, cujo deslocamento parece se associar a desigualdades estruturais de gênero, sexualidade e classe que marcam seu cotidiano no Brasil. Associa-se ao desejo de viajar a demanda da indústria transnacional do sexo, no qual as travestis brasileiras parecem fazer a combinação sedutora entre erótico e exótico.