| Com base nos pensamentos de Sherry Ortner (“The Virgin and the Sstate”) busco analisar, comparativamente, como o controle do movimento internacional de mulheres tem sido condicionado as questões de prestígio nacional, expressas em preocupações sobre o exercício da sexualidade feminina em terras estrangeiras. Tomo como base de análise dois casos distintos – a vinda de uma tropa de burlesque norte-americana ao Rio de Janeiro, durante a 1ª Guerra e a construção do atual política brasileira de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas – pretendendo recuperar seus sentidos sociológicos e políticos e explorando seus paralelos e diferenças. Saliento como, em ambos casos, em nome da defesa dos direitos humanos de imigrantes solteiras, moralidades tradicionais foram mobilizadas para implementar práticas que efetivamente restringem o movimento dessas e reforçam projetos nacionais de acúmulo de prestígio na arena internacional. Demonstro como, apesar da preocupação com a segurança feminina expressa pelo Estado nesses casos, tais discursos acentuam a vulnerabilidade das imigrantes, às situando frente a uma dupla vigilância, organizada tanto pelo Estado receptor quanto pelo Estado originário do processo migratório e, em muitos casos, reforçando as estruturas de imigração clandestina. |