| Organismos internacionais como a UNAIDS e a OMS enfatizam, desde o final dos anos 1990, a relação entre a mobilidade de alguns grupos populacionais para com as suas vulnerabilidades específicas para infecções sexualmente transmissíveis (IST) e a epidemia de HIV/AIDS. O Programa Nacional de DST, HIV e AIDS (PN/AIDS) inclui, entre os grupos considerados de alta vulnerabilidade para IST e HIV/AIDS, em função de sua mobilidade, os caminhoneiros, os garimpeiros, as populações de região de fronteira, os assentados e as comunidades extrativistas. O artigo apresenta dados de uma pesquisa com caminhoneiros no Sul do país, revelando um complexo universo social e simbólico em que estão inseridos os motoristas – onde circulam não só mercadorias, mas também drogas lícitas e ilícitas, pessoas em geral e interações sociais. Os caminhoneiros têm grande mobilidade, com padrões definidos e organizados em torno de rotas específicas, circulando tanto pelo Brasil quanto por países do Mercosul, permanecendo longos períodos em trânsito. Neste universo eminentemente masculino, há oferta de diversos serviços de profissionais do sexo, especialmente de prostitutas e de travestis, com modalidades específicas de prostituição voltadas para esta clientela. Discute-se a inclusão de grupos tão diversos, reunidos sob a rubrica da “mobilidade”, na política de prevenção à AIDS do PN/AIDS, salientando a construção social das vulnerabilidades específicas dos caminhoneiros. |