Resumo

A pesquisa etnográfica é um processo notoriamente vulnerável a construção e apresentação de sujeitividades como se essas foram verdades objetivas e/ou absolutas. No caso das pesquisas observação-participante sobre prostituição e movimentos internacionais, tal dilema se acentua ainda mais, pois além do objeto da pesquisa serem grupos estigmatizados, cujas atividades os situam no limiar da legalidade, a prostituição, em si mesmo, pode ser melhor qualificada como a venda de fantasias. Como fazer observações medianamente confiáveis e estabelecer diálogos – e especialmente os diálogos mais duradouros e profundos, necessários para a produção de etnografia nos moldes clássicos – em situações em que todos os atores, incluindo o antropólogo, têm enormes incentivos a construir ilusões? O presente trabalho apresenta os muitos dilemas e poucas soluções encontradas em cinco anos de pesquisas etnográficos na zona de turismo e sexo em Copacabana, Rio de Janeiro.