| Esta apresentação baseia-se num trabalho de campo realizado desde julho 2007 na praia de Ponta Negra em Natal, no Nordeste do Brasil, considerado como um dos maiores destinos de turismo sexual na região. No Brasil, a exemplo de outros lugares, o chamado turismo sexual tornou-se o sujeito de intensas discussões promovidas por diversos atores incluídos o governo municipal, regional e nacional, organizações não-governamentais, pesquisadores e populações locais. Este trabalho se coloca na linha do recente pensamento crítico que interroga os limites da noção de "turismo sexual" e a sua capacidade de capturar a diversidade de relacionamentos sexuais, amorosos e econômicos entre nativos e turistas em lugares marcados por desigualdades globais e fluxos transnacionais. Nesta apresentação, proponho refletir sobre estes relacionamentos, assim como se manifestam em Ponta Negra entre mulheres nativas e homens estrangeiros. Se o sexo pago ocupa um lugar central nesse espaço transnacional, também é o caso do namoro, do casamento e da migração –dimensões aqui examinadas para refletir sobre as implicações dessas novas formas de conjugalidades transnacionais que, muitas vezes, são vistas como estratégias de mobilidade social para as mulheres nativas. De que forma as nativas coporificam o feminino imaginado pelos visitantes, nessa busca? Em outras palavras, como ampliar a discussão sobre o tema para considerar o namoro transnacional como estratégia culturamente elaborada para "mudar de vida"? |