| É evidente que a retórica do choque de civilizações tem feito frequente recurso ao género para a acentuar a diferença – logo assimetria – cultural entre sociedade ocidental e sociedade islâmica. Por diferentes razões e com fins e consequências frequentemente inversos, a retórica turística tem feito o mesmo, de modo manifesto. O que tem sido menos observado etnograficamente é o modo como essas retóricas globais são acomodadas por concepções personalizadas de género em contextos islâmicos turistificados, articulando-se com outros componentes como o de casta, classe, idade ou escolarização, e compondo fragmentos de estratégias que, de forma mais ou menos subtil, desafiam práticas e discursos localmente dominantes. Tentarei fornecer alguns dados etnográficos que o demonstrem com base em meu trabalho de campo em Marrocos e na Mauritânia e numa breve incursão no Irão. |