| Em Mato Grosso do Sul, ao longo de pouco mais de cem anos, a presença sistemática dos brancos fez com que os Kaiowa e Ñandéva assistissem à transformação de seu território, com o estabelecimento de fazendas e de cidades. Esses locais vieram a constituir espaços específicos, que não são menos ocupados e/ou incorporados na vida cotidiana desses índios do que as ditas “aldeias” – espaços definidos como de uso exclusivo dos indígenas. Melhor dizendo, o entendimento sobre a ocupação e utilização desse território – ora diversificado em sua composição física e infra-estrutural – não deve se apresentar ao observador de modo a priori como fragmentária e estanque em cada um destes espaços (ou seja, a “aldeia”, a cidade e a fazenda). Antes, deve-se observar que as atividades e relações aí desenvolvidas acabam por constituir um leque de possibilidades de obtenção de recursos (materiais e imateriais) para os grupos domésticos (famílias extensas de três gerações), que são de fato o eixo fundamental de organização social destes indígenas. Nesses termos, a análise deve ter em mira que esta unidade social e suas lógicas de orientação é que são o eixo articulador do uso desses diversos espaços. |