Resumo

Há cerca de dez anos, a cidade de Santa Maria – RS vem sendo cenário de um importante fenômeno: a chegada de grupos indígenas Mbya-Guarani e Kaingang. Tendo caráter definitivo (ou duradouro), como o caso guarani ou esporádico e temporário, como o caso Kaingang, esse movimento, a primeira vista, parece ter uma explicação simples e plausível a ambas as etnias, que é o desejo de comercializar o artesanato. A partir de uma etnografia realizada junto aos indígenas, esse argumento perde força na medida em que se vê uma série de fatores complexos e particulares que regem a vida destas pessoas. O objetivo deste trabalho é pensar a relação que cada um dos grupos tem com as “mercadorias” que vendem e as que consomem, como surgem demandas de consumo e como compreendem os valores de uso e de troca que estão imbricados em toda a relações mercadológica, no interior de uma sociedade que segue os princípios capitalistas. Analiso também em que medida essa lógica da sociedade nacional rege as suas vidas e se cruza com a identidade cultural étnica. É extremamente importante ressaltar que o palco para essas observações está principalmente no meio urbano, especificamente no centro de Santa Maria. Resultado de em trabalho de campo iniciado em 2006, trago aqui uma reflexão sobre os dados e informações recolhidos até então, que levam a propor uma análise comparativa sem, no entanto, empobrecer a análise com tentativas de encontrar correspondências em todos os aspectos da vida de etnias distintas.