| Apresento o relato construído a partir do encontro etnográfico com índios, que vivem em Cuiabá, de diferentes etnias, sobretudo Bakairi, Bororo, Paresi e Terena. Com base em suas narrativas e observação participante, buscou-se captar a especificidade da experiência de vida em contexto urbano desses grupos étnicos, que tiveram participação ativa na história da capital mato-grossense, mas cuja memória foi obscurecida. O enfoque está, sobretudo, em seus dilemas de identidades, as quais se decompõem e se recompõem no fluxo constante, entre o ir e o vir, entre a aldeia e a cidade, entre espaços públicos e privados e assim, revelam o sentido que viver na cidade tem para esses grupos. Inicio com um relato do trânsito da aldeia para a cidade e finalizo com uma nota etnográfica do movimento inverso: a apropriação que os grupos Paresi da cidade em conjunto com os aldeados estão fazendo de uma área indígena, recentemente recuperada − Ponte de Pedra − território sagrado ligado ao surgimento desse povo. Com recursos provenientes da FAPEMAT (Fundação de Amparo a Pesquisa de Mato Grosso) trata-se de um esforço de recuperação e preservação da memória da cidade, condição de continuidade do viver coletivo, enquanto espaço plural e diverso. |