| Neste trabalho analisamos as interações afetivo/sexuais de rapazes e moças com práticas homoeróticas, em contextos urbanos de sociabilidade, a partir do recorte de gênero, cor e classe. O estudo integra o projeto “Relações entre raça, sexualidade e gênero em distintos contextos nacionais e locais” sobre a trajetória biográfica de jovens de 18 a 26 anos. Coordenado internacionalmente pelo CLAM/UERJ-USP-CEBRAP, o projeto abrange seis cidades, mas o presente trabalho, coordenado pelo Instituto Oswaldo Cruz/Fiocruz, refere-se apenas à pesquisa realizada no Rio. A reflexão tem por base a observação etnográfica de circuitos de entretenimento juvenil em dois bairros do Rio e entrevistas com rapazes e moças com práticas homossexuais, de diferentes cores/raça e classes sociais, selecionados nos espaços observados. Tendo por base as interações da equipe com os freqüentadores dos locais de sociabilidade, discutimos os desafios que caracterizam o fazer antropológico em espaços com intensa interação sexual. Analisamos ainda as dinâmicas da circulação espacial dos jovens e as suas motivações para as interações afetivo-sexuais, bem como os modos de expressão das identidades sociais/sexuais e das práticas sexuais juvenis. Ressaltamos que estudos sobre o aprendizado da sexualidade e suas conformações específicas entre os grupos sociais, a partir do recorte de gênero, cor e classe, podem contribuir para a identificação de potenciais situações de vulnerabilidade às DST/Aids no universo juvenil. |