Resumo

Nosso trabalho tem como principal objetivo buscar compreender o modo como se configura o processo de uso e acesso ao uso do espaço de âmbito coletivo, o espaço público, numa Vila Residencial, situada na Ilha do Fundão, dentro da cidade universitária da UFRJ. Trata-se de pensar a dinâmica dos conflitos que envolvem os inúmeros agentes sociais envolvidos, o drama social vivido pelos moradores com o processo de regularização fundiária, as formas de negociação da gestão das distâncias sociais, a visível estratificação social, a co-presença de instituições oficiais ligadas ao Estado, no âmbito Federal, Estadual e Municipal, (incluindo aí a Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ) e organizações locais como a associação de moradores (AMAVILA), além dos próprios moradores com suas demandas significativas e “autônomas”, nem sempre vinculadas a estas instâncias mediadoras. Um outro eixo fundamental do nosso trabalho é a análise da importância das narrativas e histórias dos moradores da Vila, como forma de fundamentação de direito, para além ( e em muitos casos, em disputa) das formas de legitimação jurídica instituídas pelo direito escriturário. São histórias que implicam acolhimento, reconhecimento e justificação de uma causa, e que podem servir, num contexto adequado, como fundamento a uma decisão, em suma, que podem ser usadas como forma de vindicação de direitos em situações de disputa, como os diversos casos que envolvem o cotidiano da Vila Residencial.