| A pesquisa busca compreender os diferentes aspectos imbricados no processo de socialização de crianças moradoras de condomínios fechados de grande porte, na intenção de dar continuidade à pesquisa de graduação (Viver entre muros: o privado como produtor de novas relações sociais) onde se revelou que a opção por condomínios fechados funda modelos de morar e de viver enquanto símbolos de status e prestígio social, destacando-se a distinção nós (moradores) x eles (demais citadinos). Parte-se da hipótese que as crianças moradoras de condomínios fechados estão inseridas em um contexto sociocultural cuja captação de experiências encontra-se engendrada por mecanismos de reprodução social que legitimam formas de segregação e distinção (BOURDIEU, 1996). Tem como objetivo desvendar uma possível reprodução de valores e estilos de vida, para isto busca entender como a cidade se expressa no imaginário dessas crianças. Parte-se das seguintes questões: que representações essas crianças têm do mundo “extra muros” ? Que possíveis valores são passados, por seus pais, para elas? Como esse “isolamento” do mundo “lá fora” influencia na possível construção de “mitos” sobre a cidade para essas crianças em vias de inserção e atuação enquanto agentes sociais? Que posição essas crianças teriam frente aos problemas da cidade, já que parecem ser incentivadas por esse sistema segregacional a se tornarem alheias ao que se passa “fora dos muros”? |