Resumo

Rico exemplo de diversidade de usos e significados, ao se estudar e compreender, diferentes “formas de representação e apropriação dos espaços urbanos”, é a antiga Chácara de Belém, na zona leste da Cidade de São Paulo, na Av. Celso Garcia, que teve ao seu redor, ricos atrás de sítios, pomares e ar puro; polo industrial de imigrantes, sobretudo italianos, com “cristalerias” (Germânia,Barone), tecelagens (Moinho Santista, Matarazzo) e vilas operárias. Doada ao estado, abrigou a Eschola Correcional, depois Instituto Disciplinar Modelo (l9l0), Casa do Bem Estar do Menor, sede da FEBEM/Fundação do Bem Estar do Menor e Fundação Casa, internatos para 1200/1900 jovens infratores, amontoados/misturados com moradores de rua (18 edificações/l500 funcionários). Rebeliões, fugas massivas, mortes, aterrorizavam os vizinhos, as mansões abandonadas, galpões de fábricas falidas, transformaram-se em cortiços. Desativada (2004/2007), com a promessa de devolução destes 292.000m2 à cidadania: um parque, misto de área verde, com serviços, lazer, cultura, esportes, ciclovias, formação técnica etc., a ser detalhado em consulta à população, a Green Democracy (Dryzeck, 2000). Um parque contribui, como disse Max Weber sobre a cidade, para “uma associação cívica, comunidade ligada por um compromisso”, cidadãos livres/diferentes, com droit de cité? p/ Mauro Leonel/ Isabela Menon/ Marco Grenier/ EACH/FAU-USP.