Resumo

O trabalho parte de um conjunto de fotografias captadas em Porto Seguro no carnaval de 1978 e se desenvolve numa reflexão sobre memória e identidade. A cidade viveu, desde aquele momento, uma crise de identidade, adaptando-se progressivamente a novos costumes advindos do fluxo crescente de forasteiros, conseqüência do asfaltamento da estrada que a ligava à capital do estado e ao sul do país. Tais processos se deram como decorrência de outras tantas transformações econômicas e sociais que caracterizaram aquele período, entre elas o desenvolvimento da indústria automobilística e a popularização do turismo. O seu potencial para esta atividade consolidou-se não apenas pela exuberância da paisagem mas, principalmente, pelo capital simbólico representado pela idéia da territorialidade primeva, o local “onde nasceu o Brasil”. Esta imagem, associada às condições vigentes nos primeiros anos, como foi descrito, as de uma cidade ingênua, vivendo quase que como nos primeiros momentos da colonização. Os índios da região, remanescentes que se identificavam como pataxós, aldeados nas proximidades, perambulavam pelas praias como figurantes daquela alegoria dos tempos do descobrimento. O que aqui proponho é um exercício de interpretação dos signos contidos nas fotografias, representações de um “brinquedo”, uma fantasia carnavalesca que, pensada a partir de referenciais antropológicos, como rituais e identi