| Pequenos, meninos, filhos de criação, crias - todas designações presentes na linguagem dos belemenses para referir, dirigir-se às crianças, que transitaram, transitam entre o lar de sua mãe biológica e outro(s), onde podem chegar a passar os, muitas vezes, tão longos anos de suas vidas. Esse movimento é o que em Antropologia se estuda com o nome de “circulação de crianças”. Se nele tem nos chamado mais a atenção essa movimentação nas camadas populares – com destaque na Amazônia, para as “crias” de família. – também participam desse circuito, com outras formas e espaços, os pequenos de camadas médias e altas. De todo modo, o que a “circulação de crianças” tem em comum, em qualquer tradução, é ser um fenômeno que se atualiza na cidade. Se tal fenômeno tem sido pensado, na sua face mais explícita, dentro da discussão sobre infância e família, ele implica também numa outra expressão nunca visibilizada: a das diferenciações, hierarquias, estratégias que regem a movimentação das crianças no espaço da casa, entre os lares, entre o lar original ou receptor e outros espaços, o que implica, de um lado,em sua inscrição na ‘geografia’ da casa (as diferentes casas de suas andanças) e, de outro, da própria cidade. O que estamos dizendo é que os atores dessa prática (e ela mesma) existem e constituem uma face relevante e desconsiderada da vida social urbana (moderna) na Amazônia, seja lá como for que tal prática se realize. É essa face que, exploratoriamente, o trabalho pretende abordar. |