Resumo

Em minha vivência como torcedor do Sampaio Corrêa Futebol Clube em jogos disputados pelo Campeonato Maranhense de Futebol de 2007, e pelo Campeonato Brasileiro (Série C) desse mesmo ano, que incluiu, entre outras atividades, a leitura de matérias de jornais esportivos, conversas realizadas com torcedores de vários times do futebol maranhense e com jornalistas esportivos, além do acompanhamento de vários debates sobre futebol – em rádio e televisão –, identifiquei, na “fala” desses atores, um discurso que apontava para o fato de que, no Maranhão, existiria o “não futebol”. Chamo de “não futebol” uma vivência futebolística diferenciada das visões legitimadas sobre o viver o futebol no Brasil, visto que se caracterizaria pela ausência tanto do chamado futebol arte, considerado “genuinamente” brasileiro, como do processo – desencadeado a partir de meados dos anos 1970 – de “modernização” da vivência futebolística nacional. A construção, pelos atores locais, de laços de identificação e representação através, também, dos problemas por eles apontados a partir do(s) discurso(s) legitimado(s) acerca de uma vivência ideal do futebol no Brasil, acaba, a meu ver, por constituir um cenário específico, com suas vivências e construções sociais, dentro de um espaço próprio no futebol local. Sendo assim, nos questionamos: como os atores, através das relações construídas dentro do sub-campo futebolístico local, (re)criam suas estratégias e estruturam esse cenário em uma especificidade social?