Resumo

Dentro da dinâmica de lutas de reconhecimento da cultura popular do Vale do Paraíba paulista identificamos sujeitos responsáveis pelo registro e transmissão oral das narrativas das práticas devocionais (Moçambiques, Congadas, Folias de Reis e do Divino). Atualmente, para sistematizar o registro de suas narrativas, verificamos que alguns sujeitos populares, ligados ou não aos grupos devocionais, apropriam-se das técnicas e tecnologias antes exclusivas dos “profissionais” (jornalistas, professores, pesquisadores e folcloristas), que geralmente não participam do cotidiano dos sujeitos populares. Constatamos que ao realizarem este movimento, estes sujeitos passaram a ocupar um espaço que historicamente não ocupavam. Os resultados têm apontado para a coexistência de vários discursos que disputam os sentidos destas práticas religiosas, criando uma circularidade dos significados que colocam um desafio para os próprios pesquisadores, pois seus discursos e práticas tornam agora muito mais complexa as interpretações das devoções populares e de seus sujeitos. Nas novas narrativas dos especialistas “nativos” existe o uso de categorias assimiladas da lógica de domínios exógenos mais amplos que se fazem presentes em seus cotidianos. Instâncias como o mercado ou a academia, por exemplo, legitimam políticas e ações locais dos sujeitos em seus próprios contextos, o que contribui para o processo do reconhecimento nas relações sociais endógenas e exógenas contemporâneas.