| O objeto desta comunicação é a trama de motivações e interesses que efetiva a memória diaspórica afro-brasileira em bem cultural no sítio patrimonializado da Fazenda Machadinha, no município de Quissamã (RJ). Nela, os prédios das senzalas, hoje reformados, compõem um conjunto arquitetônico abrigando descendentes de ex-escravos. Edificações ora integradas ao projeto “tempo livre” do SESC, apoiado pelo governo fluminense e pela prefeitura municipal, em obediência à finalidade de promover a sustentabilidade local mediante o resgate e afirmação de tradições ligadas à dança e ao canto, aos folguedos e à culinária. Aí se dão cruzamentos de fronteiras pelo trânsito de pessoas, ideais e técnicas. Observa-se apropriações da idéia de cultura entre uma rede composta pela Unesco, ONGs, os três níveis de poderes públicos e grupos inscritos nos segmentos locais. O objetivo desta proposta é apreender os efeitos e repercussões da categoria de produtor cultural e da noção de bens simbólicos entre grupos e espaços sócio-geográficos a partir do implemento de projetos que procuram aliar desenvolvimento auto-sustentado e re-significações de memórias. |