| Diante das mudanças perpetradas pelas organizações culturais, uma salta os olhos: a importância que a chamada cultura popular passou a granjear. Esse novo direcionamento está sustentando numa equação administrativa: a compatibilização entre a dimensão simbólica (imaterial) e econômica (material) da experiência humana. Essas são categorias nativas que comparecem na trama discursiva e nos dispositivos de justificação dos programas governamentais . Dentro de uma nova racionalidade administrativa, diversos investimentos teóricos foram feitos para recuperar a noção de cultura como experiência vivida, inscrita nos sistemas de práticas e nas memórias que acionam os saberes, os fazeres, os modos de expressão e as formas de celebração.A compatibilização mencionada constitui o núcleo temático de um panorama de mudanças que repousam na relação entre cultura e desenvolvimento. As linhas de sustentação dessa equação estão sendo erguidas em torno de um demiurgo: sedimentar o pertencimento da nação brasileira através da criação de um mosaico da diversidade criadora e da pluralidade cultural, consorciado a mecanismos de profissionalização dos circuitos de composição da cultura popular, que podem assim deflagrar formas de ganho, renda e trabalho. Com efeito, uma das matrizes interpretativas do conceito de cultura, a antropológica, vem passando por um processo de oficialização dentro do poder racional-legal do Estado e passa a lidar com o mesmo e o diverso. Importa então entender tal processo. |