Resumo

Certa feita, em minha pesquisa de mestrado, no aeroporto internacional de Fortaleza, recebi a seguinte resposta a indagação que fiz a uma passageira sobre onde ela morava: “nesse momento de cidade em cidade, sem residência fixa (...) é como se a minha cidade fosse Recife”. Alteradas as relações e coordenadas de tempo e espaço desde o séc. XV, vindo a se efetivar nos dias hodiernos a partir da revolução tecnológica, são as próprias condições, contextos e parâmetros das negociações de (re)conhecimento em torno da cultura, alteridade e identidade que se alteram. O “outro”, o “diferente” ou ainda o “estrangeiro” e o “estranho” (dos quais nos falam Simmel e Sennet, respectivamente), tornam-se personagens cada vez mais importantes nas relações sociais que se configuram no fluxo global do turismo e das migrações em geral. Nesse contexto propomos a análise de tais relações sociais nos espaços de fluxos (em nosso caso, o aeroporto), levando em consideração a proposta na qual James Clifford nos fala de uma etnografia baseada em “encontros en viaje” para dar conta da realidade de pessoas e grupos que vivem a situação de “residecia en viaje”. Os espaços, os “territórios”, os lugares e até os “não-lugares” passam a ser fontes caras à análise antropológica, pois são conceitos centrais para a revisão de cultura e alteridade que os citados fluxos têm exigido.