| Se o trabalho dos camelôs em Belo Horizonte existe desde a sua fundação, a partir de 1980 houve um aumento significativo dessa atividade, como em outras cidades brasileiras, já que esse período se caracterizou por fenômenos como a reestruturação produtiva, o fechamento de postos de trabalho nas indústrias, o crescente desemprego e o aumento das atividades (no mais das vezes informais) no setor de serviços. Por outro lado, por volta de 1990, tornaram-se comuns as políticas de revitalização das regiões centrais de grandes cidades, buscando valorizá-las, muitas vezes com um caráter higienizador e segregador. Hoje essas políticas vêm sendo repensadas e, se não a prática, pelo menos o discurso aponta para a valorização das áreas centrais, mas de maneira a abrigar os diferentes sujeitos que as utilizam como local de trabalho, lazer ou moradia. Em Belo Horizonte uma das ações da prefeitura − em parceria com setores privados − foi a construção de shoppings populares para abrigar os camelôs que passaram a ser denominados empreendedores populares. Este artigo busca discutir em que medida é possível pensar as relações entre trabalho e identidade a partir desse novo-velho trabalhador. Cabe então perguntar: os empreendedores populares se identificam como tal? Se sim, por que e em relação a quem? No atual cenário pode-se pensar que as identidades construídas a partir do trabalho sejam mais fluidas, exatamente porque o próprio “mundo do trabalho” não é mais tão sólido? |