Resumo

De instrumento de louvação aos deuses a impulso ao capitalismo, o comércio de bens de luxo viveu desde meados do século XX uma marcha, aparentemente, inexorável rumo a sua queda. Se a diminuição em sua comercialização – cuja marca, por excelência, foi o declínio da Alta-Costura e desenvolvimento do prêt-à-porter – apontava para um crescente desinteresse de seus consumidores convencionais quanto a tais bens, a passagem para o século XXI significou uma espécie de renascimento do luxo. Tais produtos, ora tão avidamente discutidos pelo mundo assumem, hoje, características específicas que os distinguem dos “antigos objetos de luxo”. A hipótese aqui é de que o novo luxo comparece como um híbrido entre o luxo suntuoso aristocrático (eterno) e a moda burguesamente consolidada (efêmera e comercial). Esta transformação no luxo, pois, pode apenas ser compreendida a partir das mudanças no ethos das camadas mais enriquecidas da população, que pressionam os produtores de bens de luxo a se adaptarem às demandas de seus novos consumidores e a reverem o significado de luxo, de criação e as estratégias de comercialização nesse princípio de século XXI como condição à perpetuação da existência desse tipo de bem. O objetivo deste trabalho é discutir tais mudanças no significado e composição do luxo (vestuário) a partir das transformações vividas pelos consumidores desses bens em termos de seu estilo de vida, o que requer articular às temáticas do capitalismo, globalização e individualização.