| Na comunidade quilombola de Sibaúma, praia localizada no litoral sul do Rio Grande do Norte, o processo de regulamentação fundiária se apresenta de maneira bastante conflituosa, com tensões internas exacerbadas, dificilmente mediadas por agentes externos. No entanto, ao longo da pesquisa realizada para elaboração do relatório antropológico, coletamos relatos orais de ‘brigas’ que marcaram a história do lugar e levantamos dados indicando que os conflitos atuais e a resolução destes seguem uma lógica própria, anterior à mobilização política em torno da reivindicação fundiária e de uma identidade diferencial. Partimos da idéia de que uma etnografia da memória dos Côcos de roda e de zambê possibilita compreender as formas de resolução dos problemas individuais e das questões que dizem respeito à coletividade. Nesta reflexão preliminar, buscaremos saber se uma expressão cultural tida como tradicional que, hoje, conhece uma “revitalização”, se constitui ainda como um espaço de regulação interna de conflitos. Procuramos perceber se e de que forma, a partir da intervenção de diversos agentes externos especialmente a partir do início do processo de regulamentação fundiária, as lógicas de instauração e resolução de conflitos no grupo sofreram modificações. |