| Este ensaio objetiva demonstrar como as comunidades quilombolas de Jambu-açú (PA), já tituladas, elaboram sua história socio-política e a atualizam, conferindo dinamicidade à sua identidade cultural. O conflito de hoje com a Companhia Vale do Rio Doce será o ponto de partida para outro conflito ocorrido na década de 1980, com a empresa Reasa Reflorestamento, ocasião em que o grupo também reagiu para defender os limites de seu território. A partir da focalização nativa dos eventos vividos será analisado como identidades institucionalizadas pelo Estado (trabalhador rural e quilombola) são lidas e acionadas como recurso retórico e político para as traduções necessárias às negociações entre os quilombolas, de um lado, e grupos que se lhes opõem, de outro. A partir de instituições locais como irmandades de santos, sindicato ou associações quilombolas, o grupo tem se posicionado em conflitos que emergem sistematicamente. O contexto empírico encontrado em campo se localiza teoricamente nos estudos sobre quilombolas, e também acerca de conflitos socioambientais e fundiários envolvendo “populações tradicionais”. Será problematizado o contexto de mercantilização e fetichização da etnicidade por meio de artifícios essencialistas representados pelas categorias tradição e isolamento, em oposição às explicações que atribuem aos usos de quilombo um caráter dinâmico, seja como conceito em uma perspectiva teórica, seja como categoria jurídica quando se trata de reivindicação de direitos. |