Resumo

Os primeiros relatos de milagres de Padre Libério datam de quando ele ainda era vivo e multiplicaram-se após sua morte, em 1980. As romarias à cidade onde está localizado seu túmulo e os milhares de ex-votos depositados na Sala dos Milagres reatualizam cotidianamente seus feitos. Tais atos atestam que a intercessão de Padre Libério já livrou muita gente de todo mal: picadas de cobra, ervas venenosas, pestes, insetos e incêndios ocorridos no Oeste de Minas Gerais e por quer que seja que os seus fiéis estejam o invocando. Se os milagres podem ser tanto de origem divina quanto diabólica, para os que acreditam em sua santidade não resta dúvida de que os fenômenos têm uma filiação clara. No entanto, toda essa potência contra o mal é vista com parcimônia pela Igreja Católica. Nos trâmites iniciais com vistas ao processo de beatificação/canonização, o evangelizador, herói e exorcista dos devotos é pesquisado como mortal contra o qual não pode depor qualquer fato de sua existência. Busca-se “a verdade” sobre a vida do Servo de Deus para composição de uma biografia documental que não admite “ilusões ou histórias românticas, mirabolantes e fantasmagóricas”. Posteriormente, a partir de uma perspectiva de “objetividade”, recorre-se à ciência para comprovar o que para os fiéis não tem outra explicação senão sua fé.