Resumo

No Brasil, a variedade de representações do Mal provenientes das religiões condiz com a diversidade que impera em seu campo religioso. Tais representações do Mal, por formarem um conjunto heterogêneo, algumas vezes mostram-se antagônicas entre si, como é o caso, por exemplo, das representações do Mal vigentes na Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) e na Seicho No Ie. Enquanto a IURD possui como principal característica a crença em demônios e na ação maléfica destes sobre as pessoas, a Seicho No Ie apresenta um ponto de vista mais psicologizado sobre o Mal, onde os infortúnios que assolam as pessoas são causados pela capacidade criativa da mente humana. Alguns desdobramentos podem ser apontados a partir desta diferença fundamental. Se para a IURD o importante é concentrar seus esforços na “guerra santa” contra os demônios, a Seicho No Ie aciona práticas rituais destinadas à purificação da mente, para que esta não crie o Mal. Temos assim dois pólos opostos: uma forma de Mal em que se crê, posto que existe, e outra que não existe até o momento no qual é criada pela mente. A partir de trabalho de campo e entrevistas com adeptos da IURD e da Seicho No Ie, está comunicação buscará apreender como se constrói a percepção dos indivíduos em torno destas duas formas tão diferentes de representação do Mal. Além disso, a maneira pela qual estas representações do Mal singularizam o cotidiano dos indivíduos de acordo com a adesão à IURD ou à Seicho No Ie também será observada.