Resumo

A presente proposta foca uma dos escritos de Darcy Ribeiro, o livro Maíra, cuja narrativa, em termos gerais, foca a história de um índio que, retirado de suas tradições e cultura, é adotado por um padre e convencido a seguir o sacerdócio, questiona sua verdadeira fé e entra em conflito por ter abandonado seu povo. O romance Maíra é uma interessante narrativa, tanto para se pensar o fazer antropológico quanto para se repensar as questões atuais referentes às etnias indígenas. Muitos foram os discursos e imagens produzidos e Maíra é uma das expressões discursivas que revela o lado perverso, segundo a visão de Darcy Ribeiro, da complexa relação e interação entre índios e sociedade nacional, tão visitada pela antropologia brasileira. Não se trata de uma etnografia, mas uma reconstituição literária, ficcionalmente construída a partir das memórias que Ribeiro tinha do trabalho de campo realizado com as tribos entre os anos de 1940 e 1960. O livro expressa a dor de ser índio, forçado a assimilar a cultura ocidental e que vê sua cultura ser solapada pelos costumes brancos. Este romance, o primeiro publicado por Darcy Ribeiro, objetiva retratar a violência e o mal causado pelo processo civilizatório – foco principal de sua teorização antropológica. Na visão do autor, o mal é revelado pela apresentação da deterioração física e cultural da tribo, como uma forma de descrever / mostrar o “fim dos tempos” nas florestas iniciado a partir da ação pastoral nas tribos.