Resumo

Neste artigo, pretendo apresentar um panorama das relações que têm sido engendradas entre membros de diversas religiões descritas como “étnicas”, centradas no coletivo negro, que estão em atividade na cidade de Belo Horizonte. “Territórios” descritos como nichos privilegiados de manutenção de identidades, algumas irmandades de Nossa Senhora do Rosário, terreiros de candomblé e centros de umbanda têm criado espaços de convivência e interpenetração de forças mágicas, onde seus membros além de realizarem duplas (ou triplas) afiliações religiosas ainda desfrutam de um novo fenômeno religioso: são os encontros rituais que tais grupos desenvolvem e que tratam da duplicidade (ou co-presença) de ritos num mesmo espaço. Entre os vários rituais que consegui mapear, analisarei algumas visitas de guardas de moçambique a festas de preto velho de candomblé angola, levantamento de bandeira de Nossa Senhora em festa de centro de umbanda por uma guarda de congado e ainda a participação de médiuns de um centro umbandista em procissão de devoção a Nossa Senhora realizadas por uma irmandade congadeira. Em todos esses encontros, o elemento estruturante dessas relações parece ser a manipulação de forças malignas (e/ou sua neutralização), disputas que se dão entre candomblecistas, umbandistas e congadeiros nos tempos contemporâneos.