Resumo

Apresentaremos nesse trabalho as concepções do que vem a ser influências do mal, senão o próprio mal, no labor das paneleiras tradicionais de Cunha – SP. As categorias atuam como pontos de referência a partir dos quais as representações coletivas são construídas. Neste sentido, as categorias podem ser consideradas como representações coletivas de uma ordem especial. Portanto, idéias, mais ou menos conscientes, que indicam os caminhos a serem seguidos pelas representações coletivas. Dentro dessa acepção entendemos a categoria bem e mal dentro da prática das paneleiras tradicionais. As paneleiras trazem no seu mundo simbólico, como um espaço do sobrenatural em sua inter-relação com o cotidiano e o mundo visível, fazendo coexistir assim, o espaço do bem e do mal. O espaço do sobrenatural se apresenta imbricado no mundo visível, coexistindo num mesmo espaço sobreposto, de complementaridade e ambigüidade. Notamos que mais do que uma relação de trabalho, o ofício de confeccionar panelas tradicionalmente é quase um ritual praticado individualmente para além de uma motivação material, chegando mesmo a perpassar por uma fundamentação espiritual do bem contra o mal. Analisamos esse universo simbólico das paneleiras tradicionais, e como são decodificadas e entendidas por elas representações do mal dentro desse ofício.