Resumo

Na última década, um fenômeno, assumidamente responsável por milhares de assassinatos no mundo, foi objeto de investigação etnográfica (EZEKIEL, 1995, DIAS, 2007): o neonazismo. Nestas etnografias foram problematizadas as dimensões sociais, mitológicas, históricas e políticas destas práticas, priorizando uma discussão acerca da “banalização do mal”. Formado por defensores da “supremacia branca”, que representa seus “inimigos”, principalmente “o judeu” e “o negro”, como “o Mal”, tais grupos tecem narrativas, atualizam modelos políticos totalitários, num processo discursivo que busca a bestialização e demonização de seus “inimigos” e que visa inseri-los num cenário marcado por um referencial obscuro, misterioso, dissimulado, e associado à noite, a escuridão, ao perigo. Os neonazistas defendem que “o judeu” e “o negro” objetivam destruir a integridade e o bem-estar dos "brancos" e que toda infelicidade e miséria a que se sentem expostos, seria, ainda, por seus “inimigos” planejadas. Numa discussão que inclui a noção de habitus (em Bourdieu e em Tomás de Aquino), a presente comunicação quer pensar “o Mal” a partir da noção de “conhecimento social implícito”, “aquilo que torna o real, real [...] e, acima de tudo, aquilo que torna as distinções éticas politicamente vigorosas” (TAUSSIG, 1987), articulando esta discussão com a questão proposta por Latour (2002), para uma antropologia pós-social, imanentista e que supere a noção de “crença”: “Como produzimos aquilo que nos supera?