| Mostrando historicamente a importância da etnicidade iorubá para as relações internas ao mundo do candomblé, bem como sua dinâmica ao longo dos tempos, meu objetivo é o de mostrar que se no nível da absorção de novos fiéis o pertencimento étnico atualmente não é importante, a etnicidade, isto é, a referência a um povo em específico nos termos de um saber localizado espacialmente, possibilita a dinâmica no nível das formas e dos arranjos sociais simbólicos próprios do mundo do candomblé, como também é a via através da qual se realizam os diálogos entre os mundos da religião, da etnicidade e com o mundo da política – na medida em que a etnicidade é o uso político da identidade étnica, bem como é no mundo da política onde se realiza a relação com o processo de afirmação étnico-racial da população negra no Brasil, trazendo à tona a politização da cultura. Percebendo o movimento de “reafricanização” do candomblé como uma ressemantização da etnicidade iorubá, proponho uma discussão mais ampla acerca das questões que envolvem as religiões afro-brasileiras e o processo de afirmação identitária e luta por direitos sociais do negro no Brasil, onde a racialidade negra está alicerçada em etnicidades africanas que muitas vezes são imaginadas na medida em que a pertença étnica, argumento nesse caso, vai além da ligação com um determinado povo/local estando mais ligada às características concebidas socialmente como próprias do “povo africano”. |