| O que sentir diante do horror, da dor do outro? Nos últimos anos, essa questão tem mobilizado leitores de jornais voltados para as camadas médias no Rio de Janeiro, já que estes passaram a dar maior destaque aos problemas da criminalidade que acometem a cidade. Inúmeras fotografias têm sido publicadas periodicamente sobre a ótica dessa temática, fornecendo aos leitores uma espécie de “dieta diária de horrores”. A partir de um levantamento quantitativo dessas imagens veiculadas no jornal de maior circulação da cidade, a comunicação pretende examinar a gramática das emoções suscitadas pelos observadores dessas fotografias. As conclusões partem da realização de entrevistas em profundidade com jovens moradores da zona sul carioca e têm como base duas experiências sensíveis: a indiferença e o constrangimento. Por meio de uma reflexão em torno da pergunta “Você sente o quê?” este trabalho também busca fornecer pistas exploratórias para uma análise da indiferença na cultura ocidental moderna visto que costumeiramente associa-se a hipersaturação imagética ao “embotamento da capacidade de discriminar” dos indivíduos. |