| Pretende-se refletir sobre questões relacionadas à família e relações de gênero no programa Casos de Família, apresentado em TV aberta pelo canal SBT, buscando relativizar seu contexto dentro de uma realidade ligada ao cotidiano na modernidade/pós-modernidade, enfocando sua construção e influência nas questões de gênero. Utilizou-se como referência Certeau (1994), Miceli (1971), Giddens (2000) e Rubin (1996) para avaliar o encaixe social alcançado. Através de interpretações realizadas a partir de episódios arquivados constatou-se que o discurso utilizado mescla características dos problemas familiares tradicionais e modernos, tornando-os referenciais no processo de publicização do mundo privado, contribuindo na formação da opinião pública ao gerar ou se apropriar de representações, que confere um caráter dinâmico ao programa, por se adequar a “problemas” da sociedade atual. Também se pôde observar nas representações familiares formas subjacentes que constituem rico material sobre questões relativas à pós-modernidade, tais como os papéis femininos e masculinos, (re) discutindo em que medida esses conceitos são relativos, como se vinculam ao estudo sobre o cotidiano e até onde ele pode nos oferecer respostas a tais questões. Conclui-se que existe a necessidade de se propor um novo olhar sobre o tema, ressaltando a importância da construção de novos discursos, diante da possibilidade de se observar outros sujeitos, outras temporalidades bem como as mudanças e permanências. |