| O litoral do Rio Grande do Norte passa por um momento de instalação de grandes projetos da indústria turística, fenômeno que recebeu atenção recente de importantes setores da mídia nacional e regional, evocando perspectivas de "desenvolvimento", melhoria do "meio ambiente", impactos sociais" dentre outras. No entanto, essas transformações inscrevem-se numa lógica de ocupação de áreas antes pouco valorizadas, o que tem como conseqüência a desterritorialização das populações tradicionais: os dados da história local apontam para consecutivas transformações, tendo repercussões socioambientais irreversíveis. Realizando a pesquisa na comunidade quilombola de Sibaúma, pudemos coletar a memória dessas transformações, os conflitos em torno do território, os impactos sobre as áreas coletivas, sobre a economia e a organização social em geral. Nossa hipótese norteadora consiste em pensar que existem dois saberes que devem ser levados em consideração ao se pensar a mudança na concepção e na utilização do espaço: um saber político, acumulado coletivamente devido ao histórico de resistência do grupo e um saber relativo à natureza, advindo da ocupação ancestral do território. Tais conhecimentos deveriam ser levados em conta na elaboração de projetos de desenvolvimento nos quais a voz do direito coletivo tem dificuldade em se fazer presente. |