| O campo de interesse empírico deste trabalho consiste nas práticas religiosas de grupos ecológicos, elegendo-se como objeto de estudo, para tanto, “ecocaminhantes”. A partir da perspectiva fenomenológica de Thomas Csordas, procura-se compreender de que modo práticas ecológicas como caminhadas, trilhas e montanhismo podem estar relacionadas com práticas religiosas como meditação, vivências e peregrinação e, assim, serem compreendidas como parte de uma ascese ecológica, que dá origem a um processo de sacralização da natureza. As práticas ecológicas destes atores incorporam uma espécie de sistema de crenças religiosas que não são institucionalmente mediadas. Este fato aponta para um deslocamento da própria noção de religião, que transitaria da transcendência para a imanência. A idéia de que tal configuração seria fruto do “espírito de um tempo”, conforme indica Colin Campebell, constitui-se numa das principais hipóteses deste trabalho. |