| O artigo intenta demonstrar os efeitos da emergência da “questão ambiental” no processo de exclusão histórica das populações rurais situadas no Eixo Brasília-Anápolis-Goiânia, a partir do licenciamento ambiental da Usina Hidrelétrica de Corumbá IV. O licenciamento permite-nos evidenciar como os atores envolvidos elaboram estratégias argumentativas que asseguram a eficácia dos preceitos morais que justificam suas práticas desenvolvimentistas de apropriação dos recursos naturais.e humanos. Ao longo da história muitos foram os preceitos morais acionados para justificar a construção do Eixo, que representa um enclave. Com a construção da hidrelétrica e a emergência da “questão ambiental” nas políticas nacionais, o licenciamento colocou novos termos para a expansão capitalista, forçando seus agentes a incorporarem em seu arcabouço ético o respeito ao meio ambiente e às populações. Ao analisar as práticas discursivas dos atores envolvidos no que chamo de “rede do licenciamento ambiental”, demonstro as modificações discursivas e morais que conduziram o ambientalismo estatal a ambientalizar os atingidos tornando-os aliados “naturais” da causa ambientalista e produzindo impactos irreversíveis em seus sistemas de significação do território. Por outro lado, indico como o setor elétrico se aproveita do tema, vitimizando-se para adquirir vantagens e negar direitos. O “meio ambiente” é o mote que (re)distribui identidades e sentidos de natureza nessa permanente tragédia fáustica. |