Resumo

O presente trabalho pretende contribuir para a discussão acerca dos grandes empreendimentos hidrelétricos e seus impactos sócio-ambientais, considerando o crescente envolvimento, nestes contextos, de povos indígenas e demais comunidades categorizadas como tradicionais. Todavia, mais do que enfocar os impactos propriamente ditos, nos interessa analisar as conseqüências das medidas propostas para compensá-los e/ou mitigá-los. Assim, pretendemos apresentar algumas reflexões sobre o PROCAMBIX, programa de “compensação ambiental” voltado para os indígenas da etnia Xerente que foram atingidos pela construção da Usina Hidrelétrica de Lajeado, no estado do Tocantins. Através da análise etnográfica de documentos, reuniões e eventos variados, bem como do diálogo com diversos atores sociais, busca-se problematizar as diferentes concepções de “meio ambiente”, “impactos” e “compensações” que estão em jogo, bem como alguns conflitos delas decorrentes. Importam, aqui, além dos posicionamentos assumidos pelos próprios indígenas, que por si só já revelam uma heterogeneidade de concepções acerca do programa, os discursos e práticas das várias instituições e agentes envolvidos, tais como a Funai, o Ibama, o Naturatins (órgão ambiental estadual), o Ministério Público Federal e a empresa responsável pelo empreendimento.