| No “debate ambiental” contemporâneo prevalece uma hierarquização de escalas - das coisas globais para as coisas locais – em que o local é visto como algo menor e paroquial. Vale mencionar o domínio da discussão sobre Mudança Climática nas agendas políticas entre diversos atores sociais (Estado, empresariado, ONGs). Tema global por excelência, e abstrato o suficiente, a Mudança Climática pode envolver diferentes atores num pretenso consenso planetário. Com isso, as dimensões da política, das relações de poder, do exercício da diferença que se realiza na dimensão do local, quedam convenientemente silenciados. Neste cenário, a antropologia tem papel importante ao resgatar os processos locais que possam incorporar novos marcos conceituais e epistemológicos às análises dos processos globais. Tendo como referência a trajetória de categorias como cultura, lugar e território na antropologia e em disciplinas afins desde os anos 80, bem como a pesquisa empírica no Vale do Jequitinhonha-MG, este paper ambiciona contribuir para a reflexão crítica dos processos globalcêntricos. |