| A influência do ambientalismo na formação de novos paradigmas em instituições de desenvolvimento foi atravessada por disputas, ideológicas, culturais, políticas e econômicas, envolvendo grande diversidade de atores e setores, valores e interesses. Desde a década de 1970, as agências financeiras de cooperação multilateral, instituições de desenvolvimento que são centros de governança global, impõem-se como protagonistas estratégicos na institucionalização de políticas ambientais e de componentes ambientais associados a outras políticas, em escalas internacional, nacional e subnacional. O Banco Mundial (BM) é emblemático para a observação de mudanças que levaram à ambientalização de diversas políticas públicas, criando, consolidando ou difundindo novas categorias que se tornaram correntes também no mundo acadêmico. Nesse processo, os cientistas sociais funcionários do BM tiveram um papel importante, posicionados meio a relações com diferentes movimentos sociais e populações locais. Assim, enfoco a constituição e a atuação de quadros de cientistas sociais no BM em prol de salvaguardas sociais e ambientais no contexto de reformas político-institucionais mais amplas envolvendo projetos, programas e políticas de financiamento do desenvolvimento. Identifico também alguns potenciais, dilemas, limites e desafios vivenciados por estes quadros. O paper baseia-se em pesquisas realizadas desde a década de 1990, em âmbito do doutorado, pós-doutorado e de algumas consultorias |