Resumo

A Mata Atlântica tem sido considerada uma das formações naturais mais ricas em biodiversidade e, ao mesmo tempo, uma das mais ameaçadas de extinção. Partindo de uma reflexão crítica sobre o processo de criação dos instrumentos de proteção legal à Mata Atlântica e sobre os conflitos em torno de sua delimitação geográfica, o presente trabalho buscou analisar a construção social do conceito de "Mata Atlântica", desde os discursos e representações de corte científico sobre a vegetação e a natureza brasileiras, até a construção da definição "abrangente" expressa na legislação brasileira atual – e, particularmente, a participação das chamadas organizações não governamentais ambientalistas neste processo, destacando sua atuação na Política Nacional de Biodiversidade. O conceito contemporâneo de Mata Atlântica apresenta-se, em conclusão, sob a forma de um híbrido político-jurídico-científico, em um contexto de reformatação do Estado e, por outro lado, de surgimento de uma natureza globalizada, com a emergência de questões como aquecimento global e biodiversidade.