Resumo

Este trabalho pretende reconstituir o contexto de idéias, o ambiente institucional e político e as questões sociais que motivaram a criação e, na atualidade, orientam a gestão do Parque Estadual da Pedra Branca – PEPB(1974), na cidade do Rio de Janeiro. Pretende-se mostrar que apesar do boom de criação de parques nacionais na virada dos anos 50/60 e na década de 70 e 80, através de políticas governamentais centralizadoras e autoritárias de gestão do território, a categoria de manejo parque ainda apresenta surpreendente força e legitimidade no Instituto Estadual de Florestas-RJ, que recentemente criou novos parques e defende esta categoria como modelo de conservação por excelência. Nestes termos, o estudo de caso sobre o PEPB permite colocar as seguintes questões: como entender a defesa da categoria parque em um contexto atual de fortalecimento de concepções socioambientais e gestão participativa das UCs? Quais são os fatores que possibilitam a legitimidade deste modelo de conservação frente à opinião pública, fazendo com que os conflitos relacionados às populações em território sejam enunciados apenas como questões técnicas ligadas à sua gestão? Quais são as possibilidades de construção de uma flexibilidade interpretativa sobre a legislação que rege os parques na solução dos conflitos relacionados às populações estabelecidas no seu território?