| Rppnista é uma categoria êmica que tem sido utilizada por proprietários de unidades de conservação privadas- as Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs)- como forma de auto-identificação. Articulados em associações estaduais espalhadas pelo país, participando da promoção de seminários e congressos, assim como de uma lista de discussão na Internet estes atores se reconhecem como membros de uma mesma comunidade, a Comunidade Rppnista. Tal grupo social aparentemente compartilha uma mesma perspectiva ambientalista, expressando um consenso acerca do significado das RPPNs. Entretanto, mediando os mais diferentes atores sociais sob a aparência de unidade e coerência, a identidade social Rppnista agrupa sob o mesmo guarda-chuva componentes com trajetórias pessoais e sociais distintas, que articulam em seus discursos as mais diferentes motivações e propósitos em relação às suas reservas particulares. A natureza reificada é o cenário em que se constrói o Rppnista. Despojada de seus aspectos sociais e socializantes esta modalidade de unidade de conservação tem sido em diferentes contextos esvaziada de seu conteúdo cultural, a partir de uma excessiva biologização dessas áreas. Este paper pretende desnaturalizar a identidade Rppnista, através da reflexão sobre os dissensos e as distintas formas de apropriação e re-semantização das RPPNs e ao mesmo tempo discutir sobre os aspectos sócio-culturais que envolvem a criação das unidades de conservação. |