Resumo

Este trabalho pretende analisar os discursos, as práticas e os dilemas enfrentados por consumidores engajados em formas de consumo social e ambientalmente responsável, baseando-se em uma pesquisa qualitativa com consumidores de alimentos orgânicos em uma feira certificada da cidade do Rio de Janeiro/RJ. Consideramos estes consumidores como um grupo social que, por diversas razões, prefere participar na esfera pública através do consumo do que através das formas tradicionais de participação via movimentos sociais institucionalizados. Trata-se de pessoas que se auto-identificam como atores importantes no processo de mudança social e ambiental e que se auto-atribuem responsabilidades. A conclusão da pesquisa, discutida à luz de algumas teorias sociológicas e antropológicas sobre consumo, além da Sociologia do Risco e da Teoria da Modernização Reflexiva, revela que, através de suas práticas de consumo responsável e das relações de sociabilidade mantidas com outros consumidores e com produtores/feirantes, estes consumidores constroem e reforçam um estilo de vida e uma identidade coletiva comprometida com valores políticos e éticos, uma visão sobre a natureza e uma forma de apropriação dos recursos naturais. Mais do que o consumo de alimentos considerados saudáveis, o engajamento no consumo de orgânicos em feiras certificadas parece se vincular também à valorização de formas tradicionais e sustentáveis, tanto de produção, quanto de comercialização e consumo.